segunda-feira, 1 de abril de 2013

Escolhas e Expectativas

De bem com a maré                             Foto: Pinterest
O que vou escrever hoje não é para mim. É para alguém especial que eu tenho visto sofrer e fico triste por seu estado angustiado, desmotivado, buscando um significado para a vida, como se tivesse perdido o interesse em viver. Isso me parte o coração, me faz sentir impotente porque não sei como ajudar. Tenho minhas limitações. Então vou tentar apenas falar sobre a situação usando um ponto de vista que procure fazer sentido não apenas a mim, mas para quem ler o que estou postando (e quem sabe) talvez, dar uma luz de como seguir em frente.

Dizem que enquanto a depressão é um sintoma sentido por pessoas que vivem do passado, a angústia é um sintoma vivido por pessoas que se preocupam muito com o futuro. A depressão gera uma profunda tristeza, uma sensação de desamparo e um vazio que nos faz desejar dormir por uma "eternidade" até que possamos despertar num dia bonito e sentirmos de novo que está tudo bem e no lugar certo.

Já a angústia gera uma inquietude, uma opressão enorme no peito e uma sensação de que algo ruim pode acontecer a qualquer momento. Não queremos estar onde estamos, mas também não há um lugar seguro para ficar. Queremos tomar uma providência, mas não sabemos "o que" fazer porque embora a sensação seja muito real, o motivo parece surreal, inexplicavel. Podemos num dado momento da vida, por diversos fatores físicos e emocionais, ter ambos os sintomas de depressão e angústia.

A questão é que no caso do passado, sabemos que ele não volta. E o que está feito, está feito. Não dá para desfazer. O que podemos tentar fazer diante das circunstâncias relacionadas com o passado é perdoar aos outros (e nos auto-perdoar ou pedir perdão a quem esteja relacionado ao problema que nos aflige). Também podemos buscar "compensar" o que passou com ações no nosso presente. Não devemos ficar nos martirizando. Devemos deixar o passado no lugar dele, onde estiver, não ficar lembrando, mas sim desapegar e seguir em frente. A sensação de desapego traz mais leveza para a vida com o tempo.

Já no caso do futuro, o que dizer de sofrermos por algo que nem sequer ainda aconteceu? Bom, se não aconteceu, significa que aquilo que insistimos em antever penosamente pode ou não acontecer. É o famoso sofrimento por antecipação, ou seja, sofremos "à toa". E isso despende não apenas nosso tempo presente, mas nossa energia. Nos sentimos mais abatidos, porque a sensação física é real. O desgaste físico é real. Então para que perder tempo com a antecipação de algo que não controlamos? O que se ganha com isso? Absolutamente nada. Não se trata de ignorar o futuro agindo de forma inconseqüente hoje. Trata-se simplesmente de não pensar muito em possibilidades que nos façam "sofrer" sem estar vivendo uma real situação. Percebe a diferença?

O futuro é como um vórtice em movimento, em transformação, que nos suga se chegarmos muito perto de sua gravidade, distorcendo a nossa realidade no presente. E já que são muitos questionamentos seguidos de "e ses" os quais muitos nem irão se concretizar, não vale a pena irmos em direção a ele por mero impulso. Deixe onde está e viva o agora. Se tem dúvidas que te incomodam sobre o futuro questione se elas podem ser resolvidas de alguma maneira agora, no seu presente, ou num futuro a curto prazo. Do contrário, não se iluda. Se tiver solução, quais são os passos a serem dados? Se não tem solução e realmente não há nada a ser feito, deixe o tempo cuidar disso. Inclusive porque até chegar ao tão temido futuro, ele já não será mais seu futuro, mas sim um novo presente. E quem sabe nesse outro presente haja uma solução para o que não podia ser resolvido antes?

Já vivi muito do passado e me frustrei muito com meu futuro. Eu tinha sonhos e planos e posso dizer que desviei bastante do caminho. Mas hoje sei que a frustração é reflexo de expectativas muito altas que criamos ao longo da vida. A partir do momento que deixamos de ter expectativas demais e decidimos parar de nos debater contra a maré, fica mais fácil viver e tolerar os acontecimentos do dia-a-dia. Quanto ao prazer pela vida, cabe a nós nos agarrarmos ao que está disponível a nossa volta e aproveitarmos ao máximo, da melhor maneira possível, mas também sem nos acomodar demais.

Não precisamos desistir de algo que acreditamos, mas existem momentos na vida que devemos recuar para longe dos extremos, pois eles podem nos machucar como pedras pontiagudas se não estivermos preparados para o baque. E mesmo que ficar no morno da vida não seja sua primeira opção e nem a mais emocionante de todas, o meio termo pode ser um conforto temporário até você enxergar novamente uma direção e obter forças para sair da praia em busca de novos desafios.

Há momentos na vida em que prendemos a respiração e mergulhamos bem fundo. E há momentos em que devemos voltar a superfície para respirar. Não há certo nem errado, apenas escolhas daquilo que julgamos que irá nos fazer bem. Faça as suas sem compromissos e expectativas altas. Faça sem pretensões e escolha o que te deixa feliz através de "pequenos feitos", mesmo que ninguém mais enxergue a felicidade em sua simplicidade, a não ser você.

Por: FlaGlvn.

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