A impressão é algo que fica gravado em nossa memória quase que como a marca de um carimbo. Às vezes ela pode ser bem forte, outras vezes uma mera marca d´água. Mas independente da força com que foi estampada, o fato é que ela está lá, não importa se é algo gritante ou um mero borrão.Trata-se de um misto de sensações que despertamos em nosso subconsciente com imagens de idéias pré-concebidas e que uma vez estampadas fica difícil mudar. Em geral as negativas com mais freqüência que as positivas. Muitas impressões são acertivas, geralmente a famosa
"primeira impressão é a que fica" tem um apelo que não dá para ignorar.
Mas temos que considerar que ela não acontece sozinha, pois se alguém impressiona, existe um outro alguém o qual se sente
impressionado. E o ser humano é muito
auto-impressionável, até mesmo quando não passamos impressão alguma. Dizem que as pessoas podem ver umas as outras a partir de uma determinada imagem, que muito provavelmente é diferente da imagem que tem de si mesmas, que também é diferente do que elas
realmente são.
Somos todos
vislumbres de algo que nunca nem nós mesmos poderemos enxergar por completo. Inclusive porque estamos o tempo todo mudando. A vida, os acontecimentos a nossa volta,
como nos sentimos em relação ao mundo são fatores que distorcem, se moldam e remodelam o tempo todo. Somos todos fogo, água e barro, podendo nos tornar melhores ou piores de acordo com os acontecimentos. Nós moldamos nosso caráter e tudo o que diz respeito a ele.
Escrevi isso hoje pensando no fato de que todos podemos errar em nossos julgamentos, por mais que as impressões digam o contrário. Já vivi e presenciei os dois lados da situação, tanto o de passar impressões erradas como o de julgar por uma má impressão. Todo ser humano passa por isso, uma vez que trata-se de um comportamento social aprendido, mesmo que ocorra de forma inconsciente. E estar em qualquer um dos lados é sempre desconfortável, ninguém quer estar.
Primeiro porque más impressões criam máculas e mágoas. Segundo porque é difícil desfazer a imagem - e mesmo que consiga haver uma conciliação depois disso as coisas nunca mais voltam a ser as mesmas, especialmente entre pessoas próximas. E a menos que os dois lados estejam dispostos a esquecer o que passou e começar uma página em branco, sem pré-conceber a imagem do outro, não há muito a ser feito. O tempo cuida de muita coisa, mas deve haver algum interesse real em perdoar e seguir em frente. E esse é um dos passos mais difíceis para ficar de bem com a vida. Só não é mais difícil que o de se auto-perdoar, seja porque erramos ou porque permitimos que outras pessoas errassem conosco. Vivemos numa era individualista e egoísta, então as pessoas não estão realmente muito interessadas em como vamos nos sentir em relação a tudo isso. O que importa para a maioría é "me conte o mínimo dos seus problemas (porque já tenho os meus) e aí eu penso se vou me aproximar de você".
E se esse egoísmo é uma forma de defesa, que na verdade não é errado se estamos buscando nos
preservar, por um outro ângulo tal comportamento gera carência naqueles que possuem expectativas em relação àquele que deseja uma distância segura para não se envolver. É quase cruel pensarmos que seremos lembrados por nossos problemas e erros cometidos, mais do que por nossos acertos e realizações positivas, ainda que os últimos superem os primeiros.
De forma contraditória cada vez mais sentimos a necessidade do contato humano, mas não queremos lá muita aproximação. É assim: "me passe o sal, mas não se levante da outra ponta da mesa para invadir meu território, pois estou confortável na minha posição". Então vemos uma número crescente de amigos da vida real se afastarem para manterem um mero contato pelas redes sociais virtuais. E se a internet conecta, ao mesmo tempo afasta e banaliza. Porque novamente estamos tratando de
impressões, desta vez criadas não por fatos ao vivo e a cores, mas por aqueles que acontecem em nossa mente, a partir do que lemos no cibernético e concluímos por presenças ou ausências e muitas vezes pela má interpretação do que é dito ou não dito.
Criamos um achismo sobre a suposta ignorância do outro e acabamos ignorados ou ignorando. E aqueles que queriamos antes tão próximos de nós, agora preferimos que se afastem em silêncio, até não haver mais vestígios das impressões que criamos deles ou que criaram de nós, nos esquecendo de que é tudo uma questão de
ponto de vista.
Por: FlaGlvn.