quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

...E Janeiro se foi.

Viramos o mês.

Bem vindo Fevereiro!
Não sei o que aguardo, mas sempre dou boas vindas para o que vier, torcendo para que seja o melhor. Melhores sonhos, melhores realizações, dias melhores e noites também. Desejo que as oportunidades sejam melhores e as pessoas umas com as outras e consigo mesmas.
Que sejam mais sinceras, mais honestas e desarmadas. Desejo que O Mundo seja desarmado, pacífico e que simplesmente acompanhe a maré, sem forçar a barra, sem mesquinharias, sem querer ser "o melhor" e ter "do melhor" apenas para si. Desejo que o mundo saiba compartilhar o que tem de bom. Quem sabe?Ainda que desejando nem tudo se realize, a o menos da minha parte vou dar o meu melhor.

 

Por: FlaGlvn.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Impressões

 


A impressão é algo que fica gravado em nossa memória quase que como a marca de um carimbo. Às vezes ela pode ser bem forte, outras vezes uma mera marca d´água. Mas independente da força com que foi estampada, o fato é que ela está lá, não importa se é algo gritante ou um mero borrão.Trata-se de um misto de sensações que despertamos em nosso subconsciente com imagens de idéias pré-concebidas e que uma vez estampadas fica difícil mudar. Em geral as negativas com mais freqüência que as positivas. Muitas impressões são acertivas, geralmente a famosa "primeira impressão é a que fica" tem um apelo que não dá para ignorar.

Mas temos que considerar que ela não acontece sozinha, pois se alguém impressiona, existe um outro alguém o qual se sente impressionado. E o ser humano é muito auto-impressionável, até mesmo quando não passamos impressão alguma. Dizem que as pessoas podem ver umas as outras a partir de uma determinada imagem, que muito provavelmente é diferente da imagem que tem de si mesmas, que também é diferente do que elas realmente são.

Somos todos vislumbres de algo que nunca nem nós mesmos poderemos enxergar por completo. Inclusive porque estamos o tempo todo mudando. A vida, os acontecimentos a nossa volta, como nos sentimos em relação ao mundo são fatores que distorcem, se moldam e remodelam o tempo todo. Somos todos fogo, água e barro, podendo nos tornar melhores ou piores de acordo com os acontecimentos. Nós moldamos nosso caráter e tudo o que diz respeito a ele. 

Escrevi isso hoje pensando no fato de que todos podemos errar em nossos julgamentos, por mais que as impressões digam o contrário. Já vivi e presenciei os dois lados da situação, tanto o de passar impressões erradas como o de julgar por uma má impressão. Todo ser humano passa por isso, uma vez que trata-se de um comportamento social aprendido, mesmo que ocorra de forma inconsciente. E estar em qualquer um dos lados é sempre desconfortável, ninguém quer estar.

Primeiro porque más impressões criam máculas e mágoas. Segundo porque é difícil desfazer a imagem - e mesmo que consiga haver uma conciliação depois disso as coisas nunca mais voltam a ser as mesmas, especialmente entre pessoas próximas. E a menos que os dois lados estejam dispostos a esquecer o que passou e começar uma página em branco, sem pré-conceber a imagem do outro, não há muito a ser feito. O tempo cuida de muita coisa, mas deve haver algum interesse real em perdoar e seguir em frente. E esse é um dos passos mais difíceis para ficar de bem com a vida. Só não é mais difícil que o de se auto-perdoar, seja porque erramos ou porque permitimos que outras pessoas errassem conosco. Vivemos numa era individualista e egoísta, então as pessoas não estão realmente muito interessadas em como vamos nos sentir em relação a tudo isso. O que importa para a maioría é "me conte o mínimo dos seus problemas (porque já tenho os meus) e aí eu penso se vou me aproximar de você".

E se esse egoísmo é uma forma de defesa, que na verdade não é errado se estamos buscando nos preservar,  por um outro ângulo tal comportamento gera carência naqueles que possuem expectativas em relação àquele que deseja uma distância segura para não se envolver. É quase cruel pensarmos que seremos lembrados por nossos problemas e erros cometidos, mais do que por nossos acertos e realizações positivas, ainda que os últimos superem os primeiros.

De forma contraditória cada vez mais sentimos a necessidade do contato humano, mas não queremos lá muita aproximação. É assim: "me passe o sal, mas não se levante da outra ponta da mesa para invadir meu território, pois estou confortável na minha posição". Então vemos uma número crescente de amigos da vida real se afastarem para manterem um mero contato pelas redes sociais virtuais. E se a internet conecta, ao mesmo tempo afasta e banaliza. Porque novamente estamos tratando de impressões, desta vez criadas não por fatos ao vivo e a cores, mas por aqueles que acontecem em nossa mente, a partir do que lemos no cibernético e concluímos por presenças ou ausências e muitas vezes pela má interpretação do que é dito ou não dito.

Criamos um achismo sobre a suposta ignorância do outro e acabamos ignorados ou ignorando. E aqueles que queriamos antes tão próximos de nós, agora preferimos que se afastem em silêncio, até não haver mais vestígios das impressões que criamos deles ou que criaram de nós, nos esquecendo de que é tudo uma questão de ponto de vista.

Por: FlaGlvn.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

"E se..."

 


Uma questão muito conhecida e com sentido duplo é aquela que fazemos a respeito de algo que não se concretizou, mas que ficamos imaginando como seria se fosse concretizado. Funciona como uma faca de dois gumes, podendo ser útil ou atrapalhar nossa vida se não soubermos como lidar com ela. "E se?" é uma interrogativa sobre algo que você nunca realizou e se arrependeu porque gostaria de saber como seria caso tivesse realizado ou é uma possibilidade de algo que você imagina poder concretizar no futuro?

Acredito que sempre vale a pena sonhar, desde que você não se perca em seus sonhos. Todos sonhamos, acordados ou não. Mas existe um limite entre a divagação e a realização. Atravessei minha vida caminhando por esse limite, com arrependimentos e satisfações como todo mundo. Mas o que posso passar adiante da minha vivência com os muitos "e ses" é: - Só questione o que vale a pena. Aquilo que você não vai realizar - seja porque não pretende ou porque não tem solução - não se dê ao trabalho de perder tempo.

Seu tempo é mais precioso ao dedicá-lo em coisas que podem ser concretizadas do que àquelas que gostaria de ter realizado, mas que passou do tempo de realizar. Toque a vida, siga em frente. Existe o tempo certo para cada sonho. Existe o tempo certo para cada fazer. Não pense nos "e ses" do passado, mas naqueles do futuro, enquanto realiza tantos outros no presente.

O que se fez ou disse, está feito, está dito. Precisa de correções ou soluções? Podem ser realizadas? Depende só de você ou de mais alguém? Se não, parta para algo novo. Saiba colocar ponto final nas coisas, inclusive aquelas que não tem mais jeito, aliás, justamente por não terem jeito. O que não damos jeito, se ajeita por si. Seja um pedido de desculpas, uma oportunidade perdida, um compromisso não assumido, uma viagem, algo que deixamos de comprar, uma tarefa que deixamos de cumprir, o que for. Se não conseguimos da primeira vez e podemos correr atrás do prejuízo, ótimo. Corrija e considere uma lição aprendida. Não teve jeito? O prejuízo está feito e o que vier não está mais em suas mãos? Então siga seu roteiro de vida que o tempo se encarrega do resto.

Aprendi muito sobre isso no último ano. Especialmente no que diz respeito a sinceridade. Nem todo mundo está preparado para ouvir sinceridade demais. O ser humano é feito de medidas. O que nos esquecemos às vezes é que para cada pessoa existe uma medida certa. E eu exagerei em algumas medidas. O problema é que assim como alguns pratos, nem sempre existe uma correção apropriada para o tempero que foi colocado demais, por mais que tentemos o nosso melhor.

E aí vem o questionamento "e se"? E se eu tivesse colocado de menos ou colocado depois ou colocado algo diferente? Não dá para saber, porque já foi. Me arrependi? Não vou mentir que por um certo tempo sim. Mas também tenho aprendido muito nos últimos anos que arrependimento de certa forma está relacionado com expectativas. Se não esperamos demais dos outros, não há porque nos frustrar. Ao menos o nível de frustração que sentimos está proporcionalmente relacionado com o nível de expectativa. Uma matemática que às vezes nos esquecemos quando nos tornamos emocionais demais.

A vida pede que para alcançarmos o mínimo de satisfação no dia-a-dia baixemos o nosso nível de expectativas. E para encontrar o equilibrio que buscamos não devemos nos perguntar o que "poderiamos" ter feito se as coisas fossem diferentes, mas sim o que "podemos" fazer hoje, pelas oportunidades que estão batendo em nossas portas neste instante. Às vezes para começarmos a realizar algo positivo é necessário cessar um pouco dos questionamentos e apenas seguir o caminho a frente.

Por: FlaGlvn.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Trovoada

Anybody Listening?                                                                      Foto: coleção Extremwetter de DENNIS OSWALD

Às vezes ela está lá longe e no entanto pode ser notada. Não dá para passar despercebido o som de uma trovoada. Ela vem mansa num crescente e uma certa hora ruge dentro de nós. Os vidros da casa tremem. Sentimos o chão em nossos pés como um leve terremoto. Ela se repete por alguns minutos e depois vem a chuva. Desaba o céu. Outras vezes a trovoada ronda apenas ao longe e se afasta. Mas sua presença nos faz imaginar como seria se viesse até nós.

As oportunidades da vida, as notícias que lemos no dia-a-dia, o contato humano ainda que indiferente nas ruas da cidade, um telefone tocando, um filme velho na televisão, uma música que não ouviamos há muito tempo, o cheiro de comida temperada vinda da casa vizinha no final da tarde, as noites de insônia, um desejo de consumo, sonhos que permanecem em nossa mente enquanto despertamos, o gosto do café vindo de uma xícara fumegante pela manhã, bolinhos de chuva, latidos na vizinhança, carros, buzinas, Bem-te-vis, Internet, lista de pessoas nas redes sociais... Todos são trovoadas que vem e vão a todo momento em nossas vidas.

A presença de algumas trovoadas incomoda, como uma lembrança ruim. Enquanto outras são muito agradáveis, como o cheiro de terra molhada, reunir pessoas queridas para uma comemoração ou ganhar presente de Natal. Algumas mexem com nosso ego e prendem nossa atenção. Outras estão a uma distância muito grande para darmos real importância.

Mas o fato é que todos precisamos de um trovoar na vida para acordar, crescer, mudar, começar, re-começar, parar, fazer algo novo, dar um tempo, seguir em frente. O trovoar é nosso ponto de partida para iniciar ou finalizar alguma coisa. Ela pode ser ouvida no céu, na batida de seu coração, em uma oração, numa troca de gentilezas, no contemplar das ondas do mar, olhando o pôr do sol no horizonte, no som de grilos, numa discussão imaginária, em livros de ficção ou em palavras sem nexo escritas num blog ainda sem rumo certo como este.O importante é: Trovoe, troveje, faça muito barulho! Faça, aconteça, pois isso é viver.

Por: FlaGlvn.